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quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Felicidade diáfana
Menopausa
É preciso ter o caos dentro de si para gerar uma estrela dançante.
Friedrich NietzscheAuto fidelidade
terça-feira, 30 de outubro de 2018
Libido
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
Mulher Chorando
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
Tormenta
A ansiedade e o medo envenenam o corpo e o espírito.
George Bernard ShawInfiltração
Esses últimos anos, como
egressa de pavoroso pesadelo perambulei pela vida.
Meu corpo todo
machucado, mãos e joelhos escalavrados das inúmeras
tentativas de sair daquele abismo profundo que havia me sugado.
Meu corpo dormente, anestesiado, meu peito em chaga transformado, minha mente confusa, desesperada, minha alma para sempre mutilada.
Na boca aquele gosto
amargo salgado que sentem os baleados.
Na garganta um
travo daqueles
que sentem os soldados ao descobrir suas vítimas aos
seus pés executadas.
O Canto dos Bem-te-vis
terça-feira, 23 de outubro de 2018
Medalha
Infância
Retrospectiva
Houve um
tempo em que vivi intensamente a vida.
Vivi deste
lado os amores, rancores, emoções, ganâncias, dores de quem está vivo, com
todos vivos à sua volta.
Quando você
partiu também parti eu para dentro da sua sepultura.
Passei
então a viver intensamente a difícil e insuspeita “vida” dos mortos.
Uma
morte/vida de interrogações, angústia, incertezas e a mais profunda dor.
E aos poucos, aquele gélido frio do gramado da sua sepultura, das árvores, das flores do cemitério em
todo o meu ser até os ossos, foi se infiltrando.
Sentia todas as imaginárias dores, a desesperança, a descrença do seu possível suplício, o desespero de quem está indo vendo os que estão ficando. Vivia a certeza do sofrimento de ter ficado e, de quebra o imaginário de como você se sentia por ter ido.
Passei
então a viver dupla vida, e a minha, tão ou mais fúnebre do que a sua.
Em casa, no
seu quarto, seu armário guardando suas roupas, revistas, livros toda sua
história.
Suas
poesias com tinta ainda fresca repousando indiferentes nas gavetas da
escrivaninha.
Sua cama
desfeita ainda conservando o calor, o cheiro do seu corpo. Seu tênis embaixo da
prancheta
a denunciar
sua presença ainda no ar, suspensa, a nos encher de dor, espanto.
Minha família, como espectros, pela casa caminhando.
Arrastava minha incompetência, minha perplexidade, e todo o imenso ódio que me consumia, todas as tardes, pelas alamedas floridas, surpreendentemente bonitas do lugar que o acolhia.
Alternava momentos de intenso ódio em que eu lutava para tentar descobrir onde você estava, porque havia sido de mim tão covardemente arrancado, para outros de completa prostração, onde só o que me ocorria era acabar com a minha própria vida para ir ao seu encontro.
O mundo que
eu vivia com você para supostamente lhe fazer companhia, não era diferente da
realidade do meu. O seu mundo que eu imaginava, era de mortos, fantasmas, caveiras,
e o meu era a luta Quixotesca que eu travava diariamente para tirá-lo de lá.
Elaborava mil possibilidades de me tirar do ar, fugir daquela dor, daquele horrível sepulcro em que vivia, para finalmente desbravar esse desconhecido mundo que o havia tão covardemente de mim arrancado, mas me acovardava sempre e achava que os antidepressivos é que me tiravam as forças, portanto, era urgente parar, mas as tentativas fracassavam sempre, porque a dor era por demais insuportável, e voltava à eles derrotada.
Quatorze meses haviam se passado e até hoje, só consigo me lembrar naquele ano, das tardes inteiras passadas naquele cemitério, o resto dos dias, das noites, o que fazíamos, somente alguns 3 ou 4 flashes conservo, e finalmente, após tantas idas e vindas a centros, igrejas, sinagogas, à procura de ajuda, percebi que ninguém poderia me ajudar, só eu mesma é que poderia fazer algo, e foi o que fiz. Finalmente consegui forças para tirar os comprimidos e assumir novamente minha vida.
A literatura me salvou, e através das dezenas de livros consumidos cheguei ao Zen, e a ele devo minhas mais estimulantes descobertas. Demorei ainda mais seis anos para conseguir sair definitivamente do luto e finalmente ressuscitar deste sofrimento, que é o pior que um ser humano pode passar.
O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte.