Tenho experimentado ficar em absoluto silêncio por horas para ver
se consigo me livrar, nem que seja aos poucos, dessa necessidade mediática que
tomou conta de cada um de nós, sem que nos apercebêssemos.
Esse último mês em especial, foi um mês extremamente difícil,
cheio de questionamentos interiores, mas engrandecedor.
Ontem resolvi desligar tudo, celular, computador, não liguei a TV,
e não me ocupei com absolutamente nada além da minha alimentação e higiene, o
dia inteiro em retiro, eu comigo mesma, experienciando o silêncio exterior, e a
balbúrdia interior que os acontecimentos anteriores provocaram em meu ser e no
que eu acabei me transformando, na maneira como vejo tudo e todos, depois de
tanto caminho trilhado.
O aprendizado é tão somente esse, viver a vida como ela é, saber,
sentir, aceitar que ela não é menos por esse ou aquele problema, não é menos
por não conter essa ou aquela pessoa, não é mais por ter isso ou aquilo, esses
ou aqueles, etc...
Lembro-me de um ditado zen: enquanto vivo, viva, na hora de morrer
morra!
Pois então, não viva morto, lamentando o que
poderia ser e não é, morremos em cada lamento, pois enquanto lamentamos um
momento ruim, um outro bom pode estar acontecendo concomitantemente, mas não o
vemos, porque estamos perdidos no outro.
É tão somente tudo isso!
À vida então, aquela, que indiferente continua acontecendo, enquanto
nos ocupamos de outras coisas. (parafraseando Lennon)