Houve um tempo, beeeeem lá no passado, em que eu me sentia alguém.
Esse alguém, que eu sentia ser, vivia assoberbada de milhares de tarefas para fazer e assuntos para resolver. Uma vida miserável, que me obrigava a ter planos, objetivos que me alavancassem para frente, para não enlouquecer. Achava que lá na frente, tudo se resolveria, e então eu poderia ser feliz e era essa certeza que me fazia crer que eu era alguém.
Hoje, já com os pés fincados no chão, sem neuras ou dores de qualquer espécie e a compreensão adquirida de que os objetivos não passam de mero engodo para nos distrair da dor dessa estúpida jornada sem sentido algum, entendo o quão ninguém eu era.
Espio então o passado com a nostalgia que espiamos uma guilhotina no museu, e não sinto saudade alguma daquele ser, tão inocente, tão ninguém!