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terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Saudades de ninguém



Houve um tempo, beeeeem lá no passado, em que eu me sentia alguém.

Esse alguém, que eu sentia ser, vivia assoberbada de milhares de tarefas para fazer e assuntos para resolver.  Uma vida miserável, que me obrigava a ter planos, objetivos que me alavancassem para frente, para não enlouquecer. Achava que lá na frente, tudo se resolveria, e então eu poderia ser feliz e era essa certeza que me fazia crer que eu era alguém.

Hoje, já com os pés fincados no chão, sem neuras ou dores de qualquer espécie e a compreensão adquirida de que os objetivos não passam de mero engodo para nos distrair da dor dessa estúpida jornada sem sentido algum, entendo o quão ninguém eu era.

Espio então o passado com a nostalgia que espiamos uma guilhotina no museu, e não sinto saudade alguma daquele ser, tão inocente, tão ninguém!

Só o que se transforma continua meu amigo

Nietzsche