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domingo, 28 de fevereiro de 2021

O MEU AMOR

 

O Meu amor é assim, meio louco meio são

meio impaciente pra ouvir, meio sábio pra discordar,

Meio bobo para rir, meio sério para amar.

E tem um olhar, um olhar assim..., sei lá se ouso explicar...

inquiridor misterioso, inquietante ...

e quando por vezes me olha a meio,

seus olhos sorriem complacentes,

indulgentes, me perdoando sempre.

E sabe entender diferenças, suportar incertezas!

E quando inconformado com as injustiças que

agride homens e natureza,

uiva para a lua em sinal de profunda tristeza.

E aceita minha cara lavada, meu avesso,

Minha alma de sofrimentos abrasada

Angelical demoníaca, concomitante com o dia.

E intui minha dor, minhas inseguranças mal disfarçadas,

minhas certezas mal projetadas, meu desespero, minha pouca valia

E se deixa estar ao meu lado,

entendendo minha fragilidade, insuflando-me valentia.

E juntos, possuímos todos os tempos

infância, maturidade, velhice

E rimos de tudo, pois que tudo já conhecemos

mas jamais perdemos de vista a fantasia,

a magia e a fé que temos

um no outro, todos os dias.

E juntos caminhamos

E juntos sabemos quem somos

O que sentimos;

O lugar de onde viemos,

O lugar para onde vamos.

 

SÍNDROME DA INVISIBILIDADE

 

Durante a maior e melhor parte de nossas vidas, estamos envolvidos com tantos interesses e afazeres, que quando ficamos mais velhos, e o tempo começa a sobrar, já não sabemos o que fazer com ele. Passamos então a prestar atenção naquilo que realmente faz a diferença em nossas vidas, que são as pessoas que amamos, e descobrimos então já somos vítimas parcial ou total da tal síndrome da invisibilidade.

A primeira e natural reação é a de negação. Como então, depois de tudo que compartilhamos de tanta camaradagem, companheirismo, como depois de tanta vida, de repente, do nada, tenha me transformado numa vítima da síndrome? Negar é uma maneira de apaziguar o que sentimos, porque a verdade é cruel demais para ser assimilada. De um momento para outro passamos a acreditar que isso é apenas um momento ruim, um mal entendido que passará logo, e assim, de decepção em decepção, vamos caminhando obtusamente até que um dia a ficha caia definitivamente.

Passamos então a lançar mão de todos os artifícios para driblar a síndrome, seja fingindo que não notamos a indiferença nos momentos que mais precisamos, seja doando nosso tempo, bajulando, mimando, chorando, reclamando, ficando doentes, desaparecendo, enfim, um não acabar mais de atitudes impensadas, ilógicas, que nos garantam uma exposição mínima,  temporária, para novamente nos mergulhar nas “brumas” do esquecimento que pode durar dias, semanas ou meses.

Estamos em 2012 e por mais absurdo que pareça, fazemos as mesmas besteiras que nossos avós faziam. As atitudes ultrapassadas, sem um mínimo de lucidez se amontoam e nos fere de morte, mas continuamos obedecendo, implorando por atenção, bicando febrilmente as migalhas de amor, afinal não foi isso que aprendemos desde sempre?

Nossos irmãos irracionais cuidam dos filhotes enquanto são pequenos e precisam dos pais, depois cada um segue seu caminho, e nós, num passado recente também éramos assim, e se é certo que a natureza é sábia, é certo também afirmar que essas pessoas, responsáveis pelas mudanças colocaram os interesses religiosos e econômicos acima da natureza, mudando o curso natural da vida.

Reproduzimos como autômatos o que os nossos antepassados faziam, sofremos as mesmas dores e morremos da mesma solidão, porque não somos capazes de repensar, reinventar, dar a volta e sair do lado contrário ao fluxo.

A Síndrome da Invisibilidade confunde-se com a nossa sombra, que sempre esteve e sempre estará conosco, mas como não a vemos, não a reconhecemos. Os jovens não têm culpa por estarmos "doentes", mas nós temos culpa ao não fazermos nada para mudar, pois estamos também condenando-os a mesma "sorte".

Um átimo de lucidez apenas, uma dose cavalar de coragem, uma maior ainda de discernimento e muito amor próprio, esta é a chave para abrir a porta da liberdade que possibilitará apenas e tão somente seguir em frente deixando para trás os velhos costumes que só nos acrescentam tristeza, doença, solidão e morte um pouco por dia.

 

“Eu estou vivo e não concluo. A vida não conclui. E a vida nada sabe de nomes.

Esta árvore, trémula pulsação de folhas novas. Sou esta árvore. Árvore, nuvem;

Amanhã, livro ou vento: o livro que leio, o vento que bebo. Todo fora de mim,

vagabundo".

Excerto do livro: Um Nenhum Cem Mil - Pirandello

O RATO DE ALICE

 

Praças de alimentação costumam atrair ratos e baratas, que por sua vez atraem dedetizadores, que atraem produtos químicos, que atraem um cheiro horrível, que atraem a morte, que atraem mais cheiros horríveis.

Dia desses, tinha lá na loja um cheiro insuportável de produto químico que entrava pelas narinas e revirava o estômago. Investigações superficiais não apontavam nada. Chamei um homem (eles costumam servir bem para essas coisas). De fato o homem fez um exame minucioso no estoque e achou um rato morto, intoxicado de produto químico no meio das caixas. Felizmente não vi o rato, mas o cheiro me perseguiu por vários dias e ainda hoje quando me lembro ainda posso senti-lo.

Mas hoje procurando por documentos no estoque, um cômodo atulhado de coisas que não se usam para nada. Aquelas coisas que se tem dó de jogar fora antes de as guardarmos por uns quatro ou cinco anos, para então se ter certeza que de fato não servirão para nada, começo a sentir aquele conhecido cheiro novamente, bem mais fraco, mais ainda o cheiro. Passei a procurar e subi na escada até o teto falso, tirei algumas caixas e dei com o rato pendurado pelo rabo, morto, um cadáver de rato morto há muito tempo, tanto tempo que o cheiro quase não se fazia sentir.

Fiquei ali no topo da escada, hipnotizada pela visão, sem sentir medo ou nojo. A visão do rato paralisara meu corpo e minha mente, e apenas me deixei ficar ali, com o rato morto à minha frente, o rato e sua morte, ambas coisas que me apavoram, ratos e mortes, ambas as coisas que não faço ideia do que fazer, quando à minha frente, ambas as coisas que me desesperam e me distanciam léguas do meu centro.

Desci devagar da escada e dei por finalizada minha procura, minha procura por documentos. Havia achado afinal um documento, um documento que me dava a certeza que o mundo não é bonito, um documento todo assinado de que a morte é repugnante, e que seu mistério me fere, sobrepuja, massacra...

Lispector me voltava à cabeça em cada sílaba do seu texto, e eu pensava que ela e seu rato ruivo enorme, tão diferente daquele, mas tão iguais em sua morte e na sensação que nos causava, tivera um alento que eu não tenho, uma crença em algo que lhe dava, ainda que às avessas, um sentido, um culpado, alguém que era emergência perdoar para suportar, e o perdão, de alguma maneira lhe dava a desculpa para continuar e poder esquecer o rato.

O rato esquecido ali no estoque, o rato e toda aquela morte, o rato e toda aquela deformidade e toda aquela feiura e toda aquela finitude, me partira ao meio e me jogara para longe da graça que costumo achar nas coisas que faço durante o dia, para conseguir fazê-las.

O rato e aquela sua morte me surpreendera até a perplexidade, e me fizera ir além da sua feiura para adentrar a minha própria, aqueles meus úmidos labirintos, por onde a visão de uma morte me obriga a escorregar, e ver os que amo, e eu própria, dias passados, presentes ou futuros, não importa porque esta feiura é tão parte como todo o resto, e porque finais, só tolero na superfície, embora seja pra isso que caminho.

Meus labirintos de morte, hermeticamente fechados, me jogam por terra quando inadvertidamente abertos, me perco por dias.

 

Se é certo que um Deus fez esse mundo não queria ser esse Deus: as dores do mundo dilacerariam meu coração...

Nietzche

DESPERDÍCIO

 

Quem assiste ou já assistiu novela sabe, que pode ficar uma semana sem assistir nem um capítulo que na outra semana, em 2 minutos é possível pegar o fio da meada e o final da história será inevitavelmente o mesmo, assim é a vida, podemos pular várias partes sem que haja perigo de perdemos algo, ou prejudicar o final.

O diabo é que quem é viciado em novela, não consegue ficar sem assistir nem um minuto do capítulo diário, que dirá um capítulo inteiro ou vários capítulos, e assim também é a a vida, as coisas vão acontecendo e a gente, incapaz de pular um minuto sequer, vai sofrendo como loucos, como se o nosso sofrimento pudesse mudar em alguma coisa o transcorrer ou final daquela história, e depois de percorrido algum tempo, vemos que poderíamos exatamente igual na novela termos pulado aquela parte mais chata que demorou uma semana, quinze dias, um mês, e teríamos evitado um monte de rugas, cabelos brancos, baldes de lágrimas e um sofrimento indizível.

Não há nenhum acontecimento na vida, que possa ser pulado, temos que viver tudo, mas a frase: A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional, é perfeita e poderíamos nos lembrar dela como um remédio, uma terapia na hora dos acontecimentos. Viver o inevitável, mas pular a parte do sofrimento. Colocar o sofrimento na gaveta e dizer: essa gaveta aqui só vou abrir daqui um mês, ou ano, dependendo do tipo de dor e continuar fingindo ignorância, fazer sozinho o que só se consegue com antidepressivos, jogar o sofrimento lá pra frente, e durante a travessia do abismo ter em mente que o único objetivo é chegar do outro lado, olhando apenas pra frente, para não correr o risco de cair.

Passei o ano de 2009 numa consumição, e hoje, alguns acontecimentos que quase me levam a uma atitude sem volta, se resolveram de maneira tão simples e favoráveis à mim, que quando me olho no espelho e vejo lá as marcas todas de noites e noites insones, tenho um sentimento doído de vergonha pela falta de senso, de centro, de auto controle e não me perdoo por ter me entregado tão profundamente.

 

"O verdadeiro desperdício nunca foi das coisas. É da vida".

Vittorio Buttafava

INSENSÍVEL

 

Nesses meses em que só chove

Muita falta tenho sentido daqueles raios de sol

Impertinentes pelas frestas da janela se infiltrando

Cutucando meu corpo, à vida me chamando!

Daqueles finais de dias ensolarados, com o sol se pondo

Em estardalhaço de cores

Amarelo avermelhado, passando para o marrom

Com matizes dourados

Transformando em aquarela a tela do horizonte

De você e sua aura branquinha de fumaça

Da sua pouca paciência

Da sua nenhuma sensibilidade

De alguns adjetivos melhores para você

Acho que há aqui alguma coisa errada!!

CATARSE

 

Meu filho, eu o perdoo!

Perdoo por tudo que você me fez, e o perdoo também por tudo o que você poderia ter feito por mim, e não fez!

Meu filho, me perdoe!

Me perdoe por tudo que eu te fiz, que eu sei que errei muito também!

Penso que fiz tudo o que eu podia por você, mas se houve algo que eu poderia ter feito e não fiz, me perdoe também!

Meu Deus, perdoe o meu filho, como eu o perdoei!

Meu Deus, esse meu filho me fez sofrer muito, e todos que estão aqui são testemunhas e eu o perdoei, de todo coração, eu o perdoei, por caridade eu lhe peço, perdoe-o também! Penso que esse meu filho, não magoou ninguém no mundo como me magoou e eu o perdoei, por caridade eu imploro, perdoe-o também!

Meu Deus, meu pai, eu lhe peço não o deixe sofrer!

Meu Deus, meu pai, eu imploro, feche os seus olhos, dê-lhe o benefício do sono profundo, para que ele não veja as cenas que o esperam nesse difícil trajeto final.

Ah meu Deus, eu errei muito, mas também ajudei muito, fiz o bem para muitas pessoas, se não for por ele que seja por mim, eu o perdoei, eu imploro, perdoe-o também!

Não o deixe sofrer durante a travessia, esteja com ele, não o abandone eu lhe peço, por caridade, não o abandone nessa hora tão triste!

Meu Deus, acompanhe o meu filho, não o abandone nessa hora, eu imploro!

Meu filho, vá com Deus!!

Aquela mulher, tão pequena, tão sofrida e tão forte, cresceu diante da pequena multidão de pessoas que lotava o humilde velório do cemitério de Itaquera.

As palavras simples, a maravilhosa declaração de amor, tiradas do mais recôndito do seu ser, inundou o filho no caixão, e inundou a todos, obrigando a cada um dos que ali estavam a uma análise profunda de suas vidas, seus amores, rancores, esperanças...

Tudo o que ela falou naquele momento era para ela mesma, ela intuía que precisava daquilo para suportar, e não se importou com absolutamente nada do que poderia acontecer depois, apenas fez a despedida, com a força costumeira com que carrega os seus 88 anos de uma vida sofrida, mas que ela fez questão de viver intensamente, sem pular parte alguma, mesmo naquele momento.

A profunda catarse, acabou por me jogar a léguas distâncias do meu próprio eu.

Quantos anos de busca debruçada em cima de livros e mais livros, filosofias, essas e aquelas outras, na tentativa louca de entender o óbvio!

Quanta terapia, psicologia, psiquiatria, filosofia, e aquela mulher ali, quase analfabeta, resolvia diante do olhar perplexo daquela multidão com a maior e mais bela simplicidade a morte de um filho.

Devolveu ao universo o que não era dela, sem lástimas, sem lamúrias, com a mais bela declaração de amor jamais ouvida por qualquer um dos presentes.

Comportou-se diante da morte, como sempre se comportou diante da vida, bravamente, sem lástimas!

O Presente

 

Final de 2007.

O bairro em que ficava a pousada, distava uns 5 Km do centro de Brotas. O caminho entre o bairro e o centro era quase totalmente ermo, como é normal nas cidades do interior. O carro deslizava durante longo tempo, sem que se divisasse uma única casa. O terreno todo plano, de modo que em noite mais clara nossas vistas conseguiam alcançar até o horizonte.  A não ser os faróis do carro que iluminavam a estrada, para todo lado que se olhasse nenhum tipo de claridade. Nossa última noite na cidade era linda, quente e limpa, e a única coisa que diferia das outras era a escuridão que me parecia muito mais densa do que nas noites anteriores.

 

Estávamos voltando de um jantar no Centro, depois de termos passado alguns dias incríveis, maravilhosos, e nossa alma em paz, saboreava aquele silêncio eloquente que passava do meu corpo ao dele, e do dele ao meu através de nossas mãos entrelaçadas. Porque está parando? Tenho um presente para você!  Parou o carro e quando desligou o farol a escuridão se fez.

 

Saltamos do carro, e ele deitou minha cabeça em seu ombro, com o rosto voltado para o céu, e lá estava o mais lindo presente que já ganhei em toda minha vida, o único impossível de esquecer viva quantas eras eu viver. A ausência total de luzes, e o clima quente e limpo, descortinavam um céu de um azul profundo, repleto de estrelas. O céu da minha infância em Itaquera também era assim, mas mesmo na minha infância, jamais o havia visto vestido assim, com tamanha beleza.

 

Ficamos ali, deslumbrados, presos pela beleza ímpar daquele céu estrelado, daquele momento, daquela magia inexplicável que nos unia e que parecia infinda, eterna!

O som desse post é Old Love - Eric Clapton

ACORDAR

 

 

E se de repente tudo cessasse?

Não pela morte, mas em vida.

Você parasse de pensar sem parar?

Parasse de reclamar e apenas sentisse?

O que seria?

Se de repente tudo se aquietasse e você pudesse ouvir o que nunca ouve, o que ouviria?

 

A gente se esquece de ouvir. Fala tanto!, reclama e reclama.

Da vida, dos santos, da televisão, da mídia, dos políticos, da justiça, dos filhos, dos pais, dos maridos, das esposas, dos amigos, dos chefes, dos empregados... sempre falando, sempre pensando, sempre reclamando.

                  E se de repente tudo cessasse?

Não pela morte, mas em vida?

Parasse de reclamar e apenas sentisse, o que seria?

Talvez sorrisse de tanta burrice e soltasse um ai!

Quem sabe?

 

 Que tal tentar, só por um momento ficar atento ao que é neste instante e que não se repetirá jamais?

Abrir bem os olhos não é arregalar. É olhar bem profundo, lá mesmo no fundo, aonde ninguém quer chegar. É ver o escondido segredo mantido que a gente pretende não Ter em nenhum lugar. De olhos abertos. Ouvidos despertos. Sentidos alertas. Pode-se até sonhar.

Sonhar o sonho de dentro de um sonho. E pode ser um sonho de acordar.

A gente sonha cada bobagem...

Ondas enormes, perigos, enchentes, guerras e mortes e, foge, foge, foge...Quer gritar e não pode. Ou sonha com flores e gramados brilhantes de orvalho ao nascente. Sonha no Sábado e também no domingo. Às vezes, até se esquece de sonhar e acorda pensando o que foi e esqueceu... O sonho talvez de acordar.

Mas, antes de tudo, antes de se levantar, percebe o ar, os sons ao redor, a textura da fibra de que é feito o lençol. Percebe o dedão lá do pé querendo furar a meia que você teve ontem, preguiça de tirar. Espreguiça comprido cuidando para a câimbra não despertar. Levanta-se de esguelha, sem nó lá no peito, sem lembrança de nada. Levanta-se e respira bem fundo e suspira que hoje é dia de

 VOCÊ ACORDAR.

 

MONJA COEN

 


COTIDIANO


Nascemos aprendendo a nos poupar. Arranjamos desculpas, as mais variadas, para nos desculpar, e somos absolutamente criativos. Inventamos todo tipo de desculpas e nos perdoamos rapidamente antes que descubramos que precisamos de perdão. Nos desculpamos antes que saibamos que os outros saibam que o que fizemos é ridículo, absurdo, imponderável. Antes de mandarmos o ato, suas qualificações e o seu respectivo auto julgamento para a frente, antes que isso fique claro à ponto de sabermos, já nos perdoamos, desculpamos e consequentemente aniquilamos qualquer possibilidade de auto punição e aprendizado.

Arrastamos pela nossa família, vizinhos, colegas de trabalho, parentes, um programa pronto, que faz de nós marionetes a serviço de uma sociedade decadente, ultrapassada, que nos impõem seus valores. Nos sentimos obtusos, parados no tempo, sem qualquer possibilidade de progresso, aprendizado, melhora e não fazemos absolutamente nada para acessar o programa, modificá-lo.

A simples possibilidade de que você tem a chave do programa, que vc pode desinstalá-lo, o coloca em desespero, porque afinal, se é certo que esse programa não serve, também é certo que ele é extremamente cômodo, confortável.

Então, isso se chama cotidiano!

E é este cotidiano insuportável criado por outros para  nós e nossas pseudo seguranças que faz de nós cordeirinhos do rebanho, seres comuns, sem nenhum atrativo, sem nada de especial para ensinar às pessoas que estão à nossa volta, pessoas que estão fazendo e vivendo a sua história junto com você.

Mudar e mudar sempre, um trabalho tão árduo, duro, pesado e tão diferente do usual, tão inusitado, que às vezes parece impossível, mas não é!

Refazer o programa, reequilibrar-se novamente, e continuar firme e forte, reconstruindo um novo ser a cada dia, mais compassivo, mais compreensivo, mais indulgente, mais reflexivo, mais benevolente, esse o caminho, o único.

Eu não sei o que quero ser, mas sei muito bem o que não quero me tornar.

Nietzsche