Final de 2007.
O bairro em que ficava a pousada, distava
uns 5 Km do centro de Brotas. O caminho entre o bairro e o centro era quase
totalmente ermo, como é normal nas cidades do interior. O carro deslizava
durante longo tempo, sem que se divisasse uma única casa. O terreno todo plano,
de modo que em noite mais clara nossas vistas conseguiam alcançar até o
horizonte. A não ser os faróis do carro
que iluminavam a estrada, para todo lado que se olhasse nenhum tipo de
claridade. Nossa última noite na cidade era linda, quente e limpa, e a única
coisa que diferia das outras era a escuridão que me parecia muito mais densa do
que nas noites anteriores.
Estávamos voltando de um jantar no Centro,
depois de termos passado alguns dias incríveis, maravilhosos, e nossa alma em
paz, saboreava aquele silêncio eloquente que passava do meu corpo ao dele, e do
dele ao meu através de nossas mãos entrelaçadas. Porque está parando? Tenho um
presente para você! Parou o carro e
quando desligou o farol a escuridão se fez.
Saltamos do carro, e ele deitou minha
cabeça em seu ombro, com o rosto voltado para o céu, e lá estava o mais lindo
presente que já ganhei em toda minha vida, o único impossível de esquecer viva
quantas eras eu viver. A ausência total de luzes, e o clima quente e limpo, descortinavam
um céu de um azul profundo, repleto de estrelas. O céu da minha infância em
Itaquera também era assim, mas mesmo na minha infância, jamais o havia visto
vestido assim, com tamanha beleza.
Ficamos ali, deslumbrados, presos pela
beleza ímpar daquele céu estrelado, daquele momento, daquela magia inexplicável
que nos unia e que parecia infinda, eterna!
O som desse post é Old Love - Eric Clapton