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domingo, 28 de fevereiro de 2021

O Presente

 

Final de 2007.

O bairro em que ficava a pousada, distava uns 5 Km do centro de Brotas. O caminho entre o bairro e o centro era quase totalmente ermo, como é normal nas cidades do interior. O carro deslizava durante longo tempo, sem que se divisasse uma única casa. O terreno todo plano, de modo que em noite mais clara nossas vistas conseguiam alcançar até o horizonte.  A não ser os faróis do carro que iluminavam a estrada, para todo lado que se olhasse nenhum tipo de claridade. Nossa última noite na cidade era linda, quente e limpa, e a única coisa que diferia das outras era a escuridão que me parecia muito mais densa do que nas noites anteriores.

 

Estávamos voltando de um jantar no Centro, depois de termos passado alguns dias incríveis, maravilhosos, e nossa alma em paz, saboreava aquele silêncio eloquente que passava do meu corpo ao dele, e do dele ao meu através de nossas mãos entrelaçadas. Porque está parando? Tenho um presente para você!  Parou o carro e quando desligou o farol a escuridão se fez.

 

Saltamos do carro, e ele deitou minha cabeça em seu ombro, com o rosto voltado para o céu, e lá estava o mais lindo presente que já ganhei em toda minha vida, o único impossível de esquecer viva quantas eras eu viver. A ausência total de luzes, e o clima quente e limpo, descortinavam um céu de um azul profundo, repleto de estrelas. O céu da minha infância em Itaquera também era assim, mas mesmo na minha infância, jamais o havia visto vestido assim, com tamanha beleza.

 

Ficamos ali, deslumbrados, presos pela beleza ímpar daquele céu estrelado, daquele momento, daquela magia inexplicável que nos unia e que parecia infinda, eterna!

O som desse post é Old Love - Eric Clapton