Quem assiste ou já assistiu novela sabe, que pode ficar uma
semana sem assistir nem um capítulo que na outra semana, em 2 minutos é
possível pegar o fio da meada e o final da história será inevitavelmente o
mesmo, assim é a vida, podemos pular várias partes sem que haja perigo de
perdemos algo, ou prejudicar o final.
O diabo é que quem é viciado em novela, não consegue ficar
sem assistir nem um minuto do capítulo diário, que dirá um capítulo inteiro ou
vários capítulos, e assim também é a a vida, as coisas vão acontecendo e a
gente, incapaz de pular um minuto sequer, vai sofrendo como loucos, como se o
nosso sofrimento pudesse mudar em alguma coisa o transcorrer ou final daquela
história, e depois de percorrido algum tempo, vemos que poderíamos exatamente
igual na novela termos pulado aquela parte mais chata que demorou uma semana,
quinze dias, um mês, e teríamos evitado um monte de rugas, cabelos brancos,
baldes de lágrimas e um sofrimento indizível.
Não há nenhum acontecimento na vida, que possa ser pulado,
temos que viver tudo, mas a frase: A dor é inevitável, mas o sofrimento é
opcional, é perfeita e poderíamos nos lembrar dela como um remédio, uma terapia
na hora dos acontecimentos. Viver o inevitável, mas pular a parte do sofrimento.
Colocar o sofrimento na gaveta e dizer: essa gaveta aqui só vou abrir daqui um
mês, ou ano, dependendo do tipo de dor e continuar fingindo ignorância, fazer
sozinho o que só se consegue com antidepressivos, jogar o sofrimento lá pra
frente, e durante a travessia do abismo ter em mente que o único objetivo é
chegar do outro lado, olhando apenas pra frente, para não correr o risco de
cair.
Passei o ano de 2009 numa consumição, e hoje, alguns
acontecimentos que quase me levam a uma atitude sem volta, se resolveram de
maneira tão simples e favoráveis à mim, que quando me olho no espelho e vejo lá
as marcas todas de noites e noites insones, tenho um sentimento doído de
vergonha pela falta de senso, de centro, de auto controle e não me perdoo por
ter me entregado tão profundamente.
"O verdadeiro desperdício nunca foi das coisas. É da
vida".
Vittorio Buttafava