Nascemos aprendendo a nos poupar. Arranjamos desculpas, as mais variadas, para nos desculpar, e somos absolutamente criativos. Inventamos todo tipo de desculpas e nos perdoamos rapidamente antes que descubramos que precisamos de perdão. Nos desculpamos antes que saibamos que os outros saibam que o que fizemos é ridículo, absurdo, imponderável. Antes de mandarmos o ato, suas qualificações e o seu respectivo auto julgamento para a frente, antes que isso fique claro à ponto de sabermos, já nos perdoamos, desculpamos e consequentemente aniquilamos qualquer possibilidade de auto punição e aprendizado.
Arrastamos pela nossa família, vizinhos, colegas de trabalho, parentes, um programa pronto, que faz de nós marionetes a serviço de uma sociedade decadente, ultrapassada, que nos impõem seus valores. Nos sentimos obtusos, parados no tempo, sem qualquer possibilidade de progresso, aprendizado, melhora e não fazemos absolutamente nada para acessar o programa, modificá-lo.
A simples possibilidade de que você tem a chave do programa, que vc pode desinstalá-lo, o coloca em desespero, porque afinal, se é certo que esse programa não serve, também é certo que ele é extremamente cômodo, confortável.
Então, isso se chama cotidiano!
E é este
cotidiano insuportável criado por outros para
nós e nossas pseudo seguranças que faz de nós cordeirinhos do rebanho,
seres comuns, sem nenhum atrativo, sem nada de especial para ensinar às pessoas
que estão à nossa volta, pessoas que estão fazendo e vivendo a sua história junto
com você.
Mudar e mudar sempre, um trabalho tão árduo, duro, pesado e tão diferente do usual, tão inusitado, que às vezes parece impossível, mas não é!
Refazer o programa, reequilibrar-se novamente, e continuar firme e forte, reconstruindo um novo ser a cada dia, mais compassivo, mais compreensivo, mais indulgente, mais reflexivo, mais benevolente, esse o caminho, o único.
Eu não sei o que quero ser, mas sei muito bem o que não quero me tornar.
Nietzsche