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domingo, 28 de fevereiro de 2021

ACORDAR

 

 

E se de repente tudo cessasse?

Não pela morte, mas em vida.

Você parasse de pensar sem parar?

Parasse de reclamar e apenas sentisse?

O que seria?

Se de repente tudo se aquietasse e você pudesse ouvir o que nunca ouve, o que ouviria?

 

A gente se esquece de ouvir. Fala tanto!, reclama e reclama.

Da vida, dos santos, da televisão, da mídia, dos políticos, da justiça, dos filhos, dos pais, dos maridos, das esposas, dos amigos, dos chefes, dos empregados... sempre falando, sempre pensando, sempre reclamando.

                  E se de repente tudo cessasse?

Não pela morte, mas em vida?

Parasse de reclamar e apenas sentisse, o que seria?

Talvez sorrisse de tanta burrice e soltasse um ai!

Quem sabe?

 

 Que tal tentar, só por um momento ficar atento ao que é neste instante e que não se repetirá jamais?

Abrir bem os olhos não é arregalar. É olhar bem profundo, lá mesmo no fundo, aonde ninguém quer chegar. É ver o escondido segredo mantido que a gente pretende não Ter em nenhum lugar. De olhos abertos. Ouvidos despertos. Sentidos alertas. Pode-se até sonhar.

Sonhar o sonho de dentro de um sonho. E pode ser um sonho de acordar.

A gente sonha cada bobagem...

Ondas enormes, perigos, enchentes, guerras e mortes e, foge, foge, foge...Quer gritar e não pode. Ou sonha com flores e gramados brilhantes de orvalho ao nascente. Sonha no Sábado e também no domingo. Às vezes, até se esquece de sonhar e acorda pensando o que foi e esqueceu... O sonho talvez de acordar.

Mas, antes de tudo, antes de se levantar, percebe o ar, os sons ao redor, a textura da fibra de que é feito o lençol. Percebe o dedão lá do pé querendo furar a meia que você teve ontem, preguiça de tirar. Espreguiça comprido cuidando para a câimbra não despertar. Levanta-se de esguelha, sem nó lá no peito, sem lembrança de nada. Levanta-se e respira bem fundo e suspira que hoje é dia de

 VOCÊ ACORDAR.

 

MONJA COEN