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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Auto fidelidade


Já há algum tempo desisti da segurança de me sentir bem para me sentir viva.

Desisti do papel de boa moça para com as pessoas, para assumir o papel de boa moça comigo.

De ser desagradável comigo, para agradar aos outros.

De me conformar com o pouco, para não escandalizar os outros.

De trair os meus sentimentos, para não magoar os dos outros.

De trair o que eu penso, sinto, para não trair o que outros pensam, sentem...

Penso que não sou a primeira e que com certeza, não serei a última, mas é um trabalho tão árduo, duro, pesado e tão diferente do usual, tão inusitado para a mente pequena e comum dos que estão à sua volta, que às vezes bate as neuras. Será que estou mesmo certa? Será que vou conseguir chegar até o final disso? Quantas pessoas eu perderei, sentimentalmente falando, para chegar até o final disso? E no final depois de todas as perdas, será que vou achar que terá valido a pena?

Essas perguntas me devoram, mas quando olho pra trás e vejo o quanto já conquistei, paro de tremer e retomo o controle, equilibro-me de novo e continuo, e continuarei sempre, porque sei que esse é o caminho, e que uma vez tomado, não há volta possível.