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domingo, 14 de março de 2021

Desencanto

 

É uma manhã de sábado insuportavelmente quente, e eu desço a Senador para ir ao centro cerealista de Sampa.

Pelo caminho, a imundície e os mendigos de sempre. No começo me incomodavam demais, hoje já não os noto.

Estava esperando o farol abrir, no cruzamento da Cantareira com a Senador, onde se é que é possível, a imundície é ainda maior que no restante do trajeto. No chão um mendigo deitado num colchão confortavelmente como se estivesse dentro de sua casa. No farol, os camelôs, aos gritos oferecem aos motoristas as enormes bandeiras do Corinthians: era dia de campeonato. 

O mendigo observa, deitado a meio corpo, o cotovelo dobrado segurando a cabeça na mão, olha para mim sorrindo, um sorriso aguado, sem luz, sem graça, sem vida e comenta: "Eu gostava, quando eu gostava do Coringão!"

Meu sábado, ferido de morte tombou!

No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra ...

Drummond