Sexta
final de tarde trânsito parado final do túnel escuridão.
Saber
tudo que se tem que saber, cansaço mortal, desejo de desistência, e o
médico, colesterol, triglicérides sabe-se lá o que isso quer dizer, academia
é remédio. Trânsito parado, vida parada, mesmice, solidão. Calor, apagão,
falta de senso, apatia, podridão. Falta de graça, monotonia, preto
e branco, sentido nenhum. Contas, trabalho, filhos,
chefe, casa, dormir, acordar, tomar banho, e o dinheiro, que não chega nunca, consumição!
De
repente Ipê amarelo, luz, magia, poesia, êxtase, desligamento!
Novamente
o túnel, e novamente o nada da escuridão. Dia, noite, mês, ano, e a casa repleta de coisas para serem feitas que nunca acaba, o trabalho longe, insuportável,
o mercado, a feira, as contas, ah... as contas! E o pai que vem pegar o filho, olhar encolerizado, carregado de significado de uma dor que nunca extingue.
Ar parado, perfume nenhum, e essa perplexidade paralisante, asfixiante.
O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções.