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terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Aparecida Maria "A Benzedeira"


Uma das coisas que Aparecida Maria aprendeu a fazer para ajudar o semelhante, foi "benzer"

Apesar de benzedeira, ser o único nome possível dado a quem benze, ela odiava a alcunha, e fazia questão de demonstrar com todas as letras do alfabeto o quanto odiava.

Todos os dias aparecia pelos menos duas pessoas no portão pedindo por benzimentos. Se perguntavam: é aqui que mora a benzedeira? Pronto, ela virava um bicho, falava uma porção de sandices e fazia a pessoa voltar para o benzimento somente no outro dia: É para aprender a ter respeito! 

Caso a pessoa estivesse muito mal, e implorasse muito ela benzia no mesmo dia, mas fazia várias descomposturas primeiro.

Os  benzimentos serviam para qualquer tipo de queixa: afastar maus espíritos, arrumar emprego, curar quebranto, bucho virado, prisão de ventre, ar na vista, na cabeça, pé bichado, dor de dente, erisipela, etc, e ela não se furtava, se não houvesse um benzimento específico, não tinha problema algum, ela customizava algum na hora.

Conhecia também centenas de ervas que empregava para cortes e quebraduras. Fazia uma mistureba das ervas cruas, cozidas ou trituradas e colocava diretamente nos cortes ou enrolava em panos que amarrava nas quebraduras. Era como um curandeiro de tribo, "sabia" exatamente que erva usar para cada caso específico.

As pessoas nutriam por ela um profundo respeito, afinal, os subúrbios aquela época, eram selvas,
 sem uma farmácia que fosse por perto, suas ervas e rezas eram a única coisa com a qual as pessoas podiam contar, a ajuda que ela oferecia, portanto, não tinha preço. Não importava se iria resolver ou não, na hora do desespero, a única coisas que as pessoas precisavam era de alguém que fizesse algo. As vezes o doente morria, mas doentes morriam mesmo, em todo e qualquer lugar, ninguém a culpava, mas se conseguiam a cura, ela era a responsável, e a fama só fazia crescer.

Era convidada para tudo que era festa, madrinha de casamento e principalmente madrinha de crianças. Gabava-se de não saber a maioria dos nomes dos afilhados por já terem passado de cem. 


Ficava sempre envaidecida quando alguém a parava na rua para pedir benção porque era afilhado dela. Uma vez em especial, ela já passada dos oitenta anos, um padre a parou na volta da feira para lhe dar carona e dizer que era afilhado dela, esse dia, deve ter sido um dos mais importantes de sua vida. 

Quanta honra um afilhado se tornar padre!
contou essa história até o fim dos seus dias, apesar de ser espírita praticante.