Aparecida Maria, teve uma infância difícil, como
difícil deveria ser todas as infâncias à época.
Já adulta, quando apaixonou-se perdidamente não teve
dúvidas, casou-se, largou a família e a cidade e veio parar em Sampa, com a
ajuda de um dos irmãos.
Com vinte anos engravidou, e a primeira filha nasceu
morta, depois de um trabalho de parto que durou sete dias, de dores
inimagináveis.
Após um ano engravidou novamente, e a segunda filha
morreu de pneumonia aos oito meses de idade.
As duas perdas seguidas deixaram-na prostrada, sabia
que tinha que fazer alguma coisa, mas o quê, morando numa perfeita selva que
era um subúrbio de Sampa em 1941.
Pediu então ao irmão mais novo, que passava um tempo com a família que a ensinasse a
ler e escrever.
Virou uma leitora inquieta, devorando todos os livros que
o irmão trazia.
Influenciada pelas leituras, passou a pesquisar
freneticamente todo tipo de religião. Igrejas de todo tipo, centros espíritas,
templos, sinagogas e até o Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, lugar
que ensinava uma filosofia extremamente sofisticada, que obviamente ela não conseguia alcançar, mas que mesmo assim frequentou durante anos.
Levava os filhos junto para todos esses lugares, e
conforme iam crescendo ela trocava pelo mais novo. Duas vezes por semana, passava
mão em dos filhos e pegava o trem para ir a um destes lugares. Só não ia mais
vezes porque o dinheiro não dava para a condução.
A vida tinha sido cruel com ela, precisava não só
entender aquele sofrimento todo, como também se precaver para que não
acontecesse mais.
Lia incansavelmente todo tipo de filosofia e religião, fazia as interpretações que a interessavam, e depois misturava tudo, acabando por fazer uma miscelânea formidável que só ela entendia.
Achou nessas religiões, um modo de fazer contato com o povo do além, e deu à eles a responsabilidade de proteger a si mesma e a família de todo e qualquer mal, e nunca deixou de creditar a eles tudo que de bom acontecia em sua vida até morrer.
Achou nessas religiões, um modo de fazer contato com o povo do além, e deu à eles a responsabilidade de proteger a si mesma e a família de todo e qualquer mal, e nunca deixou de creditar a eles tudo que de bom acontecia em sua vida até morrer.
Uma pessoa se torna muito forte quando seu objetivo é proteger algo ou alguém.
Fallen Angel