Minha irmã do meio
era a única pessoa que eu conhecia que sabia da minha existência, e isso para
mim já era motivo de sobra para adorá-la!
Muito antes de eu
entrar na escola, ensinou-me a ler e a escrever.
Trabalhava numa
oficina de costura, e as sobras de tecido ela trazia para casa e fazia
roupinhas para mim. Digo roupinhas porque como eram sobras, nunca dava para
fazer mais do que um short ou um tipo de mini blusa
que não existia à época, e que, portanto, posso dizer sem sombra de dúvida, que
ela foi a precursora dessa moda.
Enquanto eu era
menina, se ela estivesse em casa, desistia dos folguedos todos, para ficar ao
seu redor, ajudando-a nos seus afazeres.
Era uma moça miúda, frágil e linda!
À medida que fui crescendo fomos ficando cada vez mais amigas, e mesmo
depois que de casadas, continuamos sempre muito próximas, por muitos anos.
Mas o pra sempre, sempre acaba, e um dia o trem descarrilou, e nós nos
perdemos, e perdemos aquela relação que era tão importante para ambas, e embora
tenhamos tentado por diversas vezes, nunca mais conseguimos recolocar o trem de
volta aos trilhos.
De tropeção em tropeção, fomos colecionando rancores, por acharmos que eram imprescindíveis, e o tempo inexorável em sua marcha, deixando aquela amizade nas brumas, delineando as idosas solitárias que hoje somos.
As mágoas todas acumuladas, deixaram em meu ser a certeza de que infelizmente não há volta para tudo que deixamos para trás, em nome da vaidade, arrogância, orgulho, imaturidade...
Hoje, olho o
espelho e procuro com grande interesse as marcas que
mudam a minha fisionomia dia por dia e penso que muitas delas eu poderia ter
evitado, apenas pulando algumas partes tão absolutamente desnecessárias!
A juventude é fera indomável e suas vantagens e desvantagens formam montanhas de igual proporção.
O valor de uma coisa às vezes não está no que se consegue com ela, mas no que se paga por ela - o que ela nos custa.
Nietzsche