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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Mana



Minha irmã do meio era a única pessoa que eu conhecia que sabia da minha existência, e isso para mim já era motivo de sobra para adorá-la!

Muito antes de eu entrar na escola, ensinou-me a ler e a escrever.

Trabalhava numa oficina de costura, e as sobras de tecido ela trazia para casa e fazia roupinhas para mim. Digo roupinhas porque como eram sobras, nunca dava para fazer mais do que um short  ou um tipo de mini blusa que não existia à época, e que, portanto, posso dizer sem sombra de dúvida, que ela foi a precursora dessa moda.

Enquanto eu era menina, se ela estivesse em casa, desistia dos folguedos todos, para ficar ao seu redor, ajudando-a nos seus afazeres.

Era uma moça miúda, frágil e linda!

À medida que fui crescendo fomos ficando cada vez mais amigas, e mesmo depois que de casadas, continuamos sempre muito próximas, por muitos anos.

Mas o pra sempre, sempre acaba, e um dia o trem descarrilou, e nós nos perdemos, e perdemos aquela relação que era tão importante para ambas, e embora tenhamos tentado por diversas vezes, nunca mais conseguimos recolocar o trem de volta aos trilhos.

De tropeção em tropeção, fomos colecionando rancores, por acharmos que eram imprescindíveis, e o tempo inexorável em sua marcha, deixando aquela amizade nas brumas, delineando as idosas solitárias que hoje somos.

As mágoas todas acumuladas, deixaram em meu ser a certeza de que infelizmente não há volta para tudo que deixamos para trás, em nome da vaidade, arrogância, orgulho, imaturidade...

 Hoje, olho o espelho e procuro com grande inter​esse as marcas que mudam a minha fisionomia dia por dia e penso que muitas delas eu poderia ter evitado, apenas pulando algumas partes tão absolutamente desnecessárias!

A juventude é fera indomável e suas vantagens e desvantagens formam montanhas de igual proporção.

O valor de uma coisa às vezes não está no que se consegue com ela, mas no que se paga por ela - o que ela nos custa.

Nietzsche